Punir não é a solução para o bullying

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Psicóloga francesa afirma que é preciso fortalecer as vítimas

 

Matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo em 25 de junho de 2023 traz uma entrevista com a psicóloga francesa Emmanuelle Piquet, autora de mais de 10 livros e referência no assunto em seu país. O alerta foi dado após o suicídio de diversos jovens nos últimos anos em virtude de situações de violência física, verbal ou psicológica perpetradas por colegas de escola e em redes sociais. Diante da comoção nacional, o governo concentrou esforços na punição dos culpados, e alguns poderão até ser presos. Para Emmanuelle, fundadora do centro Chagrin Scolaire (“sofrimento escolar”, em francês), em Macôn, a estratégia está fadada ao fracasso, pois a punição faz com que os jovens criem outros tipos de bullying que não são detectados nem tampouco punidos pelos adultos, como isolar a criança assediada, não convidá-la para aniversários, não incluí-la em trabalhos em grupo. Com isso, novos assédios passarão despercebidos.

 

Ao invés disso, prefere aplicar um modelo terapêutico baseado em competências de resistência para contra-atacar o assédio. Emmanuelle afirma que uma das grandes dificuldades para lidar com o tema foi o fato de o bullying ter se tornado um problema de adultos, o que reforçou a tendência de crianças e adolescentes não conversarem com os mais velhos sobre isso, uma espécie de lei do silêncio.

 

Tanto que um estudo recente realizado na França revelou que 62% dos jovens acreditavam que os adultos não poderiam ajudá-los em caso de bullying. Eles temem a reação dos pais que, muitas vezes, até pioram a situação. Noutros casos, o jovem quer proteger os pais da dor de saber que o filho é isolado e maltratado. Com isso, os adultos não ficam sabendo que o bullying acontece e, ao saber, o foco é no assediador, a escola perde tempo com sanções e responsabilizações. Isso, no fundo, apenas reforça o prazer narcisista do agressor. Esta sensação de prazer e poder está ligada ao impacto causado na vítima, que sofre, e no grupo ao redor, que ri. O assediador sabe que, se assediar, não será incomodado, então não para de assediar. Quem tem interesse em acabar com o assédio é a vítima e sua família. Enquanto a escola se concentrar apenas no assediador, tudo permanece no mesmo lugar.

 

Além disso, é politicamente correto e bem mais barato dar sermões ou punir os assediadores. Para a escola, contratar profissionais para ajudar as crianças a se afastarem do assédio tem seus custos, são dias de treinamento mais supervisão.

 

BULLYING EM NÚMEROS

Veja cifras do Senado da França e do Barômetro da Educação 2022

 

  • 6% a 10% dos estudantes sofrem bullying ao longo do ano letivo
  • 77% dos estudantes de 15 a 21 anos já sofreram violência nas escolas
  • 1 em cada 4 admite ter tido ideias suicidas por causa disso

 

Em relação à repercussão nas redes sociais, Emmanuelle destaca que o assédio começa no playground, na cantina, no ônibus, e só então cairá nas redes. A mídia fala de violência online, que é comparável ao assédio de rua, mas bem diferente da violência que vemos na escola, onde uma criança, geralmente sozinha, é atacada de maneira persistente pelo mesmo grupo. É conveniente culpar as redes sociais, mas o principal responsável pelo bullying não são elas.

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